Desclassificado

O filme de Tremonton (Utah, 1952)

Estados Unidos · 2 de julho de 1952

ANÁLISE RAIO-X · DOSSIÊ Nº 006

O filme de Tremonton: o que 75 segundos de 1952 conseguem provar?

Tremonton, Utah, Estados Unidos · 2 de julho de 1952 · revisão editorial: outubro de 2026

Em 2 de julho de 1952, o suboficial fotógrafo da Marinha dos EUA Delbert C. Newhouse filmou, perto de Tremonton, em Utah, cerca de uma dúzia de pontos brilhantes que se moviam em grupo no céu. O filme se tornou uma das provas mais discutidas do Projeto Blue Book, o programa da Força Aérea norte-americana que investigou relatos de OVNIs entre 1952 e 1969. O mesmo material recebeu leituras opostas: o laboratório da Marinha concluiu que os objetos não eram pássaros, balões nem aviões; o Painel Robertson, convocado pela CIA em 1953, apontou gaivotas; o Relatório Condon, de 1969, classificou-os provisoriamente como pássaros. Em setembro de 2026, o Departamento de Guerra publicou uma cópia digitalizada e reconheceu que a falta de detalhe impediu uma conclusão. Este dossiê separa o que o filme registra, o que as testemunhas disseram depois e o que cada análise realmente demonstrou.

Pasta de arquivo verde sobre mesa escura com a claquete de arquivo 341.PBB.345 e dois quadros do filme de Tremonton presos com fita e clipe
Composição editorial do X-Files PT-BR. A pasta, as etiquetas e os carimbos são montagem gráfica; os quadros e a claquete são reais, extraídos da cópia do filme publicada pela DVIDS, serviço de mídia do Departamento de Guerra (DOW-UAP-PR159), em domínio público.

O que Delbert Newhouse filmou em Utah?

O depoimento que Newhouse assinou para a Força Aérea, preservado na ficha do caso no Projeto Blue Book, situa a cena com precisão: cerca de sete milhas ao norte de Tremonton, na rodovia U.S. 30S, às 11h10 de quarta-feira, 2 de julho de 1952. A família viajava de carro de Washington, D.C., para Portland, no Oregon. Foi a mulher dele quem notou no céu "um grupo de objetos que não conseguia identificar" e pediu que ele parasse o carro. Newhouse, suboficial fotógrafo da Marinha com 21 anos de serviço, descreveu "cerca de dez ou doze objetos que não se pareciam com nada que eu tivesse visto antes, rodopiando em formação irregular e seguindo para oeste".

Ele tirou a filmadora da mala, carregou-a às pressas e filmou cerca de 30 pés de película, uns 75 segundos. A câmera era uma Bell & Howell Auto Master de 16 mm, com lente teleobjetiva de três polegadas, 16 quadros por segundo, segurada na mão, com filme Kodachrome. Os primeiros pés foram feitos com abertura f/8 e o restante com f/16; segundo o próprio depoimento, a troca foi feita "com a ideia equivocada de escurecer o céu para ganhar contraste" e só deixou o filme subexposto. Perto do fim, um dos objetos inverteu o rumo e se afastou do grupo. Newhouse manteve a câmera parada e deixou-o atravessar o quadro três ou quatro vezes, até que todos desaparecessem.

Duas marcas do depoimento de 1952 resumem o problema do caso. A primeira é uma frase: "não havia ponto de referência no céu, e era impossível para mim fazer qualquer estimativa de velocidade, tamanho, altitude ou distância". A segunda é uma ausência: o texto não descreve a forma dos objetos. A imagem de discos metálicos, que tornou o caso famoso, só aparece em relatos posteriores, como o que Newhouse fez anos depois ao ex-chefe do Blue Book Edward J. Ruppelt. O filme, por sua vez, mostra pontos claros e arredondados contra um céu azul uniforme, sem nuvem, árvore ou horizonte. Sem um objeto de tamanho e distância conhecidos, tamanho e velocidade passam a ser suposições.

Quadro do filme de Tremonton: céu azul-acinzentado e granulado, com uma faixa escura vertical à esquerda e pequenos pontos claros quase imperceptíveis
Quadro da cópia digitalizada do filme de Delbert C. Newhouse, 2 de julho de 1952, sem alteração. Os objetos aparecem como pontos claros mínimos; a faixa escura é parte da cópia, não um objeto no céu. Fonte: DVIDS, DOW-UAP-PR159, Departamento de Guerra dos EUA, domínio público.

Cronologia do caso, do filme à divulgação de 2026

2 de julho de 1952 — a filmagem. Newhouse filma os objetos perto de Tremonton e, segundo a descrição oficial do vídeo, entrega o material à Força Aérea pouco depois. Ruppelt relata que levou a película ao laboratório fotográfico da Força Aérea em Wright Field, onde ela foi projetada "vinte ou trinta vezes". A hipótese de aviões refletindo o sol perdeu força porque a família não ouviu ruído algum.

Outubro de 1952 a maio de 1953 — a Marinha. Em 27 de outubro de 1952, a Força Aérea pede ao Centro de Interpretação Fotográfica da Marinha, em Washington, a análise dos "filmes de objetos não identificados feitos em Utah". O centro entrega um primeiro relatório em 5 de dezembro de 1952 e uma versão final em 4 de maio de 1953, ambos na ficha do caso. A conclusão foi que os objetos não eram pássaros, balões nem aeronaves e que pareciam ter luz própria.

14 a 18 de janeiro de 1953 — o Painel Robertson. O Escritório de Inteligência Científica da CIA reúne cientistas sob a presidência do físico Howard P. Robertson, do Caltech, entre eles Luis Alvarez, Lloyd Berkner, Samuel Goudsmit e Thornton Page. O filme é exibido várias vezes. O painel rejeita a conclusão da Marinha e considera gaivotas a explicação mais provável. A CIA mantém um resumo oficial do episódio.

1955 e 1956 — nova análise e resposta à imprensa. O engenheiro Robert M. L. Baker Jr. estuda o filme para a Douglas Aircraft; o relatório dele foi anexado à ficha do Blue Book. Em 1956, um documentário de cinema exibe os filmes de Tremonton e de Great Falls, e a Força Aérea prepara para a sala de imprensa do Pentágono um memorando afirmando que os objetos eram gaivotas. No mesmo ano, Ruppelt publica seu livro.

1968 e 1969 — Congresso e Relatório Condon. Em julho de 1968, Baker apresenta suas conclusões em um simpósio da Comissão de Ciência e Astronáutica da Câmara dos EUA. No mesmo ano, o astrônomo William K. Hartmann examina o caso para o estudo da Universidade do Colorado contratado pela Força Aérea, o Relatório Condon, publicado em 1969.

18 de setembro de 2026 — a divulgação. Na sexta liberação do programa PURSUE, o Departamento de Guerra publica a digitalização de uma cópia do filme (PR159) e documentos sobre o caso (D102 a D104). A cópia e a ficha completa já estavam no catálogo do Arquivo Nacional dos EUA.

Assista ao filme de Tremonton

Cópia digitalizada do filme de Delbert C. Newhouse, servida pelo Arquivo Nacional dos EUA (341-PBB-345); a mesma cópia foi publicada pela DVIDS em 2026. Os primeiros segundos mostram o logotipo do Arquivo Nacional e a claquete. A reprodução para em 0:55: depois desse ponto, a cópia mostra uma filmagem sem relação com o caso. Domínio público.

O vídeo DOW-UAP-PR159 tem 1 minuto e 10 segundos. Segundo a descrição oficial, trata-se da digitalização de uma cópia em 16 mm do filme Kodachrome, e não do original da câmera. O texto do Departamento de Guerra faz três ressalvas. A primeira: "o pouco detalhe do filme e a falta de pontos de referência fixos impediram uma resolução conclusiva". A segunda: a partir dos 55 segundos, a cópia mostra o que parece ser a demonstração de um equipamento de costura. A terceira: segundo os registros que acompanham o filme, o material original vinha junto com cenas de montanhas em Idaho, que não estão nesta digitalização — o que bate com o depoimento de Newhouse, que diz ter gasto o resto do filme "numa montanha em algum lugar de Idaho".

Essas ressalvas mudam o que se pode fazer com o vídeo. Os estudos das décadas de 1950 e 1960 já trabalhavam sobre cópias, e o número de quadros varia conforme a fonte: o Painel Robertson fala em cerca de 1.600; o Relatório Condon, em cerca de 1.200. A cópia de 2026 tem cerca de 55 segundos do caso e passou por gerações de duplicação. Ela permite ver o tipo de imagem discutido por décadas, mas não substitui o original para medir brilho ou tamanho dos pontos. A claquete 341.PBB.345 corresponde à série de filmes do Projeto Blue Book no Arquivo Nacional dos EUA, um indício de que a cópia saiu do acervo institucional do programa — o que confirma a procedência do material, não a interpretação do que ele mostra.

O que está no arquivo do Projeto Blue Book

A ficha do caso no Arquivo Nacional dos EUA tem 97 páginas digitalizadas do microfilme T1206, rolo 11. Ela reúne o depoimento de Newhouse, correspondência entre Força Aérea e Marinha, os relatórios do centro de fotointerpretação da Marinha com seus gráficos, a análise de Baker para a Douglas Aircraft e memorandos internos. Quatro documentos ajudam a entender por que o caso nunca se fechou.

Página datilografada intitulada Statement by Source, com local, hora, câmera, exposição e o relato de Newhouse sobre os objetos vistos perto de Tremonton
Depoimento de Delbert C. Newhouse ("Statement by Source"), 1952. Registra local, hora, câmera e a frase central do caso: sem ponto de referência, era impossível estimar velocidade, tamanho, altitude ou distância. Não descreve a forma dos objetos. Projeto Blue Book, Arquivo Nacional dos EUA, T1206, rolo 11, p. 15. Domínio público.
Folha quadriculada com a anotação manuscrita Tremonton Case, Birds (seagulls) e um gráfico de temperatura por altitude
"Tremonton Case — Birds (seagulls)". Folha da ficha com uma sondagem atmosférica de 2 de julho de 1952, anotada como de Hill AFB, em Utah, e a classificação do caso como pássaros (gaivotas). Mostra que o Blue Book avaliou as condições do ar para a hipótese de aves planando. Arquivo Nacional dos EUA, T1206, rolo 11, p. 8. Domínio público.
Gráfico com várias linhas pontilhadas e setas, mostrando o traçado quadro a quadro das trajetórias dos pontos no filme
Traçado das trajetórias feito pelo Centro de Interpretação Fotográfica da Marinha: cada ponto marca a posição de um objeto em um quadro. É a base dos cálculos de movimento, que dependem, para virar velocidade, de uma distância suposta. Arquivo Nacional dos EUA, T1206, rolo 11, p. 84. Domínio público.
Memorando da Força Aérea de 1º de junho de 1956, em duas páginas, sobre o filme de Utah e o de Montana
Memorando da Força Aérea, 1º de junho de 1956, assinado pelo coronel John G. Eriksen e preparado para a sala de imprensa do Pentágono. Afirma que houve "unanimidade de opinião" de que os objetos eram gaivotas, o que a análise da Marinha, na mesma ficha, contradiz. Arquivo Nacional dos EUA, T1206, rolo 11, pp. 67–68. Domínio público.

O memorando de 1956 merece leitura atenta. Ele diz que um laboratório de fotorreconhecimento da Força Aérea analisou o filme logo após o avistamento, que havia "gaivotas identificáveis em alguns dos quadros" e que filmes de gaivotas feitos depois mostraram pontos de luz semelhantes. Conclui que "a unanimidade de opinião presente em todas as avaliações" não deixava dúvida razoável. A ficha do próprio caso mostra outra coisa: a Marinha concluiu que os objetos não eram pássaros, e o Painel Robertson pediu que ela refizesse o estudo. O documento prova qual era a posição pública da Força Aérea em 1956, não que houve consenso técnico.

Quem analisou o filme e o que cada um concluiu

Centro de Interpretação Fotográfica da Marinha: "autoluminosos"

O relatório final de 4 de maio de 1953, preservado na ficha do caso, descreve o pedido da Força Aérea, os cerca de 30 pés de filme recebidos e os métodos usados. Os analistas mediram o brilho dos pontos com um densitômetro e calcularam velocidades. O Relatório Condon cita a estimativa de 653,5 milhas por hora, cerca de 1.050 km/h, mas com uma condição: ela vale se os objetos estivessem a cinco milhas, cerca de oito quilômetros, uma distância suposta, não medida. A conclusão de que eram "fontes de luz e não luz refletida" se apoiava na ausência de oscilação do brilho. O limite é metodológico: o astrônomo do Painel Robertson questionou a técnica de densitometria, e o painel pediu que a Marinha refizesse o estudo. Segundo Ruppelt, a revisão nunca foi feita.

Painel Robertson: gaivotas refletindo o sol

O relatório do painel argumenta que um objeto arredondado pode refletir o sol sem piscar ao longo de 60 graus de trajetória e que a cor "circular, branco-azulada" sugere reflexos em superfícies convexas. Os cientistas viram um filme de gaivotas sob sol forte e consideraram a semelhança suficiente. Ruppelt, que discordou na reunião, conta que meses depois viu gaivotas planando sobre San Francisco e que elas só apareciam como clarões brancos quando inclinavam o corpo: "havia uma forte semelhança". Ele acrescenta, porém: "não tenho certeza de que esta seja a resposta". O painel também recomendou reduzir o interesse público pelo tema, e o Pentágono vetou a divulgação do filme com a explicação das gaivotas, por considerá-la fraca.

Robert M. L. Baker Jr.: sem hipótese que explique tudo

Baker analisou o filme em 1955 para a Douglas Aircraft, medindo o tamanho angular e o deslocamento dos pontos quadro a quadro. Descartou aviões, balões e as tiras metálicas usadas para confundir radares. Sobre os pássaros, duvidou que aves a essa distância aparecessem como pontos redondos, sem variação de brilho ao bater asas ou virar contra o vento. No depoimento à Câmara em 1968, concluiu que "nenhuma hipótese de fenômeno natural sugerida até agora parece explicar completamente" o caso. O limite está nas premissas: as distâncias que ele estimou dependem do tamanho atribuído aos objetos.

William K. Hartmann: pássaros, em caráter provisório

No caso 49 do Relatório Condon, Hartmann concluiu que filme e relatos não se explicam satisfatoriamente por aviões, tiras metálicas, insetos ou balões, mas que "o filme, isoladamente, é compatível com pássaros". Em 23 de agosto de 1968, ao atravessar Utah de carro, ele viu bandos de aves claras que lhe pareceram "nitidamente semelhantes" aos pontos do filme. Por isso, identificou os objetos como pássaros, "provisoriamente, até que outros investigadores demonstrem que não poderiam ser pássaros". O limite é de método: o teste de Hartmann foi uma observação de campo, a olho nu, e não uma reconstituição controlada com a mesma câmera, a mesma lente e a mesma abertura.

Comparativo: alegação, documento e limite da conclusão

AlegaçãoO que o registro sustentaLimite
O filme mostra discos voadores.Pontos claros sem contorno definido, em grupo, contra o céu.O depoimento de 1952 não descreve forma; os discos aparecem em relatos posteriores de Newhouse, não na imagem.
Os objetos voavam a mais de 1.000 km/h.A Marinha calculou essa velocidade supondo oito quilômetros de distância.Sem referência fixa no quadro, a distância nunca foi medida.
Eram gaivotas, caso encerrado.O Painel Robertson e o Relatório Condon consideraram aves a hipótese mais provável.Ninguém reproduziu o filme com aves nas mesmas condições; o próprio Condon fala em identificação provisória.
Houve unanimidade: eram gaivotas.A Força Aérea afirmou isso em memorando de 1956 preparado para a imprensa.A Marinha concluiu o contrário, e o Painel Robertson pediu uma revisão que, segundo Ruppelt, nunca foi feita.
O governo escondeu o filme.O Pentágono vetou em 1953 a divulgação proposta pela Força Aérea.O veto não ocultou uma prova de origem extraordinária: o filme circulou entre pesquisadores e foi publicado oficialmente em 2026.

A tabela mostra por que o caso nunca se fechou. As conclusões mais fortes, nos dois sentidos, dependem de uma premissa que o filme não oferece: a distância. Quem supõe objetos distantes chega a velocidades e tamanhos incompatíveis com aves. Quem supõe objetos próximos chega a dimensões e movimentos compatíveis com pássaros planando. O filme, por si só, não decide entre as duas premissas.

O que o filme de Tremonton permite afirmar hoje

Há pontos firmes. Um fotógrafo experiente da Marinha filmou, em 2 de julho de 1952, um grupo de objetos claros sobre Utah. O material foi levado a sério: passou por laboratórios da Força Aérea e da Marinha, foi exibido a cientistas convocados pela CIA e voltou a ser estudado em 1955 e 1968. Também é firme que nenhuma dessas análises produziu prova de uma tecnologia extraordinária. A conclusão da Marinha dependia de uma distância suposta, e a do Painel Robertson, de uma semelhança visual.

O depoimento posterior de Newhouse, de que viu os objetos mais de perto e com forma de disco, merece registro, porque ele era um observador treinado. Mas ele foi colhido anos depois, não está no depoimento assinado em 1952 e não aparece no filme. Hartmann observou que a descrição contradiz a imagem e pode refletir a memória reconstruída ao longo do tempo. Ruppelt, que conversou com Newhouse, saiu convencido da sinceridade dele. As duas coisas podem ser verdadeiras: um relato honesto e uma lembrança imprecisa.

A leitura mais fiel ao conjunto é a que o próprio Departamento de Guerra adotou em 2026: o caso continua sem resolução conclusiva. Pássaros planando sob sol forte são a explicação com mais apoio entre os estudos publicados, mas apoio não é comprovação. Uma reanálise só avançaria com o original da câmera, ou com uma reconstituição com aves, lente e abertura equivalentes. A cópia de 2026, com sua filmagem de costura no final, lembra quanto do caso depende de cópias, memórias e premissas.

Perguntas frequentes sobre o filme de Tremonton

O que mostra o filme de Tremonton?

Cerca de dez a doze pontos claros, sem forma definida, movendo-se em grupo contra o céu azul. Foi feito em 2 de julho de 1952 por Delbert C. Newhouse, suboficial fotógrafo da Marinha dos EUA, com uma câmera de 16 mm, perto de Tremonton, Utah. Não há contorno de nave nem referência fixa no quadro, como horizonte ou árvore.

A Marinha concluiu que eram OVNIs?

O laboratório de interpretação fotográfica da Marinha concluiu que os pontos não eram pássaros, balões nem aviões e que pareciam emitir luz própria. A estimativa de velocidade dependia de uma distância suposta, não medida. Em 1953, o Painel Robertson, convocado pela CIA, rejeitou essa leitura.

Por que se fala em gaivotas?

O Painel Robertson considerou que reflexos do sol em superfícies convexas explicariam o brilho sem piscar e que gaivotas da região do Grande Lago Salgado eram a hipótese mais provável. Em 1968, William K. Hartmann, no Relatório Condon, observou bandos de aves claras em Utah e classificou os objetos, provisoriamente, como pássaros.

O caso foi resolvido?

Não de forma conclusiva. A descrição oficial do filme divulgado em 2026 afirma que o pouco detalhe e a falta de pontos de referência fixos impediram uma resolução. Pássaros são a explicação com mais apoio entre os estudos publicados, mas o pesquisador Robert M. Baker considerou que nenhuma hipótese natural explicava tudo.

Fontes e critérios de revisão

A base documental é a ficha do caso no Projeto Blue Book, consultada no catálogo do Arquivo Nacional dos EUA, a descrição oficial do filme publicada pela DVIDS em 2026 e o resumo da CIA sobre o Painel Robertson. O relatório do painel, o estudo de caso do Relatório Condon e o depoimento de Baker ao Congresso foram lidos nas reproduções integrais indicadas abaixo. O relato de Ruppelt é de primeira mão, mas escrito em 1956, depois dos fatos. Os documentos D102 a D104 da sexta liberação estão no portal war.gov, que não pôde ser acessado na apuração; as informações sobre eles vêm da descrição oficial do vídeo e da ficha equivalente no Arquivo Nacional.

  1. Arquivo Nacional dos EUA — ficha do caso no Projeto Blue Book, microfilme T1206, rolo 11, 97 pp. (depoimento de Newhouse, relatórios da Marinha de 5 dez. 1952 e 4 maio 1953, análise da Douglas Aircraft, memorando de 1º jun. 1956).
  2. Arquivo Nacional dos EUA — "Tremonton, Utah", filme 341-PBB-345.
  3. DVIDS — DOW-UAP-PR159, Historical Film of Reported UFOs, Utah, 1952, Departamento de Guerra dos EUA, publicado em 18 set. 2026.
  4. War.gov/UFO — sexta liberação do PURSUE, 18 set. 2026 (inclui D102–D104).
  5. CIA — How to Investigate a Flying Saucer, 21 jan. 2016.
  6. Relatório do Painel Robertson (1953), reproduzido no Apêndice U do Relatório Condon.
  7. Relatório Condon, caso 49: Tremonton, Utah, William K. Hartmann, Universidade do Colorado, 1969.
  8. Depoimento de Robert M. L. Baker Jr. ao simpósio sobre OVNIs da Comissão de Ciência e Astronáutica da Câmara dos EUA, jul. 1968.
  9. Edward J. Ruppelt, The Report on Unidentified Flying Objects, 1956, cap. 16.
  10. National Archives — Project BLUE BOOK, guia dos registros do projeto.

Revisaremos o dossiê quando os documentos D102 a D104 puderem ser conferidos no portal do Departamento de Guerra ou quando surgir análise nova do filme. Para sugerir uma correção, envie o link do documento e a passagem que altera a análise.

Evidências Anexadas

Departamento de Guerra — Filme de Tremonton (Utah, 1952)
Desclassificado

Estados Unidos · Departamento de Guerra · 1952

Departamento de Guerra — Filme de Tremonton (Utah, 1952)

Cópia do filme feito pelo fotógrafo da Marinha Delbert Newhouse em 2 de julho de 1952, perto de Tremonton, Utah, mostrando pontos brilhantes em movimento no céu. Saiu na sexta liberação do PURSUE, junto com o arquivo do Projeto Blue Book sobre o caso. Análises militares anteriores não haviam identificado os objetos; em janeiro de 1953, o Painel Robertson, reunido pela CIA, considerou que o filme provavelmente mostrava um bando de pássaros.

Sugerir correção ou nova fonte para este dossiê

Análise Raio-X

Conheça a Análise Raio-X dos casos

Outros dossiês que separam o que os documentos provam do que continua em aberto.

O Raio-X Mensal de um Documento Oficial

Todo mês, um documento oficial sobre UFO, UAP e OVNIs — dissecado: o que ele diz, o que significa e por que importa, explicado de forma simples, direto no seu e-mail.